mergulhar

atirado
numa obtusa saudade
profundis abismado

lamentável ausência
de los hermanos
olvidados

ninguém mais parece
ouvir Maria
a das Dores

a caneta sorrateira
dita a duras penas
manhãs que voam
no som do avião invisto
telhado

quebrando a barreira
do som
paisagens sonoras se abrem
estilhaços

o silêncio re-faz ecos
pequenos círculos esvaem
como fumaça para os ouvidos

não há plateia nesse momento
silêncio
estupor
sons
bicos de pássaros
nas paralelas
correm com a bica dágua
no não-tempo

a janela imaginada
descasca em lodo
comunhão
com  as passagens

letras difusas
palavras confusas
sentimentos em desvario

você me deixa aerado
tonto tanto
quanto
nauseado

 

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