Um dos estilistas brasileiros que mais admiro, o Ronaldo  Fraga, no seu desfile Outono/Inverno 2019, nos fala de arte. resistência, respeito, amor e união na diversidade do Brasil e do mundo em um grande banquete inclusivo, representativo da PAZ E TOLERÂNCIA. “Todos os meus desfiles são políticos.”

O estilista mineiro que já criou mais de trinta coleções que quase sempre resgatam referências da cultura brasileira, se aventurou a escrever um livro lançado em parceria com a ilustradora e artista plástica alemã Anna Göbel que narra a história da chita. Ronaldo Fraga dá poeticamente a palavra aos seus desenhos no livro que nos encanta, homenageando a cultura e a identidade nacional.
“Uma festa de Cores – Memórias de um Tecido Brasileiro” é o nome do livro que como Ronaldo Fraga diz “estampas falam, cores suspiram… mas só a chita canta e dança.”
Esse tecido chegou ao Brasil trazido pelos portugueses na segunda metade do século XIX. É originário da Índia Medieval, conhecido como chintz. A partir do século XX a chita começa a ser produzida pela maioria das fábricas brasileiras, sua história está ligada ao desenvolvimento têxtil do Brasil. Em uma mistura de influências, hibridismos,e mesclas vindas de vários países, a chita se torna um valor simbólico do retrato da brasilidade, tropicalidade e alegria dos brasileiros. Tecido simples de algodão, de cores alegres e preço popular, ganhou características particulares de uma forma democrática com o uso diversificado como cortinas, forros de mesa, festas juninas, decorações de casa e de restaurantes..

Era objeto de desejo das elites europeias e aqui vestiu os escravos brasileiros.

Se torna fashion a partir das diversas concepções de estilistas brasileiros como Reinaldo Lourenço, Glória Coelho, Ronaldo Fraga, Isabela Capeto, Lino Villaventura entre outros, que usam esse tecido em suas coleções cada qual com sua linguagem e talento próprio, mostrando como cada vez mais pessoas usam roupas de chita, transformando um produto simples em objeto de desejo. Dessa forma saiu das ruas e casas do interior para conquistar um espaço cada vez maior nas passarelas de moda. A chita vestiu escravos, tropicalistas, alta sociedade, estrangeiros, personagens de literatura, teatro e novela.

Como diz o designer Gringo Cardia ” a chita é uma fotografia da nossa cultura e deveria ser tombada.

 

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