Não sei por que, hoje deu vontade de falar de Cuiabá. De imediato uma questão me atropelou, de qual Cuiabá você está falando?

Da Cuiabá de Silva Freire? De Maria Taquara e João Sebastião em transmigrações? Das putas do Porto, do crack a enfumaçar os arredores da cita-cidade citá, se pá, vamos nessa.

Cuiabá das vias tortas, dos salões aristocráticos provincianus, dos mundanos? De qual e de quem? A dos senhores feudais usineiros, donos do ouro e dos escravos? A Cuiabá do futuro, com VLTs imaginários e árvores tombadas em nome do progresso?

Qual delas, meu caro, qual delas você quer?

Do Babu seteoito, de Adir Sodré, de São Benedito?

Alvísseras.

Um salto no rio Cuiabá cheio de lama e merda ou no rio Cuiabá da fotografia de Carlos Rosa? As cartas cartomantes cartografias mapas in-mundis. Cruzes, Boa Morte. Enterro do RG Dicke, meu irmão gigante.

Qual Cuiabá? Das árvores que desfilam hoje fantasmagóricas por nossa memória? Ex campeã, tão invisível quanto o mar de Xarayés.

Do concreto duro de seus olhos vítreos e noturnos e soturnos a cruzar vias da cidade da festa, dos mil bares, dos mil pares e gêneros e sons e manias e perseguições e contradições. Acho muito babaca esse papo de texto homenagem. Haushaushau. Não consigo respirar.

Mãe, pai, seu filho virô poeta. Poeta de pedra de pedregal salve salve antonio meu irmão de Sodré

Na prainha ou no porto ou no pedregal

viver não faz mal.

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