Há muito venho observando e refletindo sobre as coisas mais loucas e extravagantes que assolam nosso cotidiano virtual. As palavras de Umberto Eco ainda ecoam em minha cabeça. Mais de 90% do que rola na internet é idiotice. Daí podemos concluir que temos um altíssimo índice de esculhambação da imagem de nossos pares humanos que não param de semear besteira assolando o planeta. Febeapá virtual planetário de geografias invisíveis, apenas perceptíveis na ativação de fenômenos pixels a iluminar nossa necessidade de interação. Stanislaw, salve-nos, ice a Ponte Preta, o febeapá é planetário. Planeta de otários.
Acordo de manhã, como sempre de mau humor e logo vou abrindo as janelas e saltando para o suicidal world virtual, navegando por oceanos difusos, cruzo ilhas cruzo mares cruzo rios e desertos e tento acertar o olho do furacão. São bilhões de posts diários a alimentar nossa gula.
Como ia dizendo, acordo naquele puta mau humor e ao me deparar com a manchete de uma matéria de um site qualquer “mãe da Xuxa é internada com infecção urinária”. Puta que pariu, salto de um lado a outro e dou uns berros bem altos, como grunhidos: PORRA! PORRA! QUE QUE EU TENHO QUE VER COM ISSO“ – CARALHO!
Bom, a essa altura já esculhambou metade do dia. O fígado grita SOS.
Daí o olho corre e de repente estampa outra manchete: Donald Trump vai recriar muros de separação: vai expulsar muçulmanos da América: vai varrer o que resta de sanidade na América: é o fim da picada: lá vem conspiração: sim: acho que é o fim
“Mulher arranca penis de estuprador
Uma moradora de Sidhi (Madhya Pradesh, Índia) levou até uma delegacia o pênis de um cunhado de quem, segundo ela, havia sido vítima de seguidos estupros.
A amputação do membro foi feita com uma foice. A polícia disse que a indiana estava mentalmente equilibrada e que não se arrependia do que fizera.
O homem que tivera o pênis arrancado acabou se matando antes da chegada da ambulância.
A mulher foi indiciada por tentativa de assassinato. Ela alega legítima defesa e diz que o pênis é uma prova do seu sofrimento.”
Sei lá, sei lá quem sou. Um risco de poesia cruza o céu de Florbela. Estrela (de)cadente. Tudo é finito. Até o grito.



















