Agosto quente, infernal, abrem-se as comportas para mais uma edição do CineCaos. Dia três de agosto, as lendas do rock’n roll cuiabano vão botar pesados acordes e riffs pra assar nas brasas do mês do cachorro louco. GTW Caximir Blokeio Mental Nidhog. Um revival insano do rock raiz que sacudiu Cuiabá nos 80 e 90. Autoral de atitude com poética de rebeldias e experimentações sem fim surgiu aqui uma cena que conectava Cuiabá ao mundo. Qualquer capital do globo terrestre qualquer lugar tinha ponto de conexão com a ainda verde capital. Restaram as cinzas, entre uma loucura e outra, a espalhar esterilidades, sim, parece que os novos e sombrios tempos estão estéreis. Poesia seca. Olhos secos sem paixão. Tempo de desqualificação, tempo sem tempo para criar, tempo seco como os ventos bafios dos infernos do deserto de paixões.

Cumpre reviver. O Cine Caos é um projeto que vai para a quinta edição sob as mãos corpo e membros de Eliete Borges & equipe. Figura forte da poesia e dos movimentos de beira, marginais, fora de si, tocando anarquia das boas no solo infértil. Fertilize fertilize diz ela aos trancos e barrancos, mas fazendo. Fazer é o que nos resta. Fazer fazer.

A Casa Cuiabana vai servir de caldeirão para re-cozinhar re-combinando ingredientes. Ardidos como pimenta nos olhos do bom mocismo insosso e das poéticas raquíticas. Um soco no olho do momento mais estéril do rock cuiabano. O documentário “GTW 30 anos depois”, de Joe Fagundes, é a prova dos nove mil decibéis que passaram por esses ares escaldantes. Tinha que ser lançado no Cine Caos. É carne e dente!

Mas vocês verão muitos filmes no festival. De cara, na comunicação eles já mostram as garras: Cine Caos: Cataclismas, Hecatombes e Delírios de Poder. São filmes mais toscos, sem filtros, sem máscaras, sem delírios de poder, só de fazer, se expressar, soltar verbos e imagens & sons, viscerais a reivindicar seu pedaço de luz! De luzes e escuros o cinema se faz. Assim na terra como no céu como nos vários infernos. O inferno mora aqui no mês de agosto. Como disse o Wladipino: Ferreira, pra morar em Cuiabá só criando casca, casca grossa, casca de árvore do cerrado brasileiro. Frutificai-vos frutificai sob acordes e riffs pesados que o cinema aqui é de fogo.

 

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