Para ampliar as chances de pessoas da comunidade LGBTQIA+ em concorrência de editais e execução de projetos nasce a iniciativa “Arte Diversidade”. Em um momento de intensa produção cultural, palestras com especialistas fornecem as ferramentas necessárias para capacitação e qualificação dos agentes culturais. Todo o conteúdo será disponibilizado, de forma gratuita e virtual, na primeira quinzena de abril.

Em cinco palestras, serão abordados aspectos jurídicos, econômicos, sociológicos e históricos, que visam contribuir para que produtores culturais, artistas, e representantes da comunidade tenham conhecimentos sobre os direitos da diversidade. Assim, será possível lidar com questões burocráticas e legais, que dificultam o desenvolvimento de projetos com a temática.

Idealizador da proposta, o advogado Nelson Freitas Neto explica que o objetivo é criar e estruturar políticas culturais para a diversidade, com intuito de fortalecer uma base da comunidade LGBQIA+. “Sabemos a realidade enfrentada de exclusão e segregação, que não é só por parte da sociedade, mas também pelo próprio estado, que é quem deveria acolher essas pessoas. A nossa cultura ainda é muito marginalizada e precisa ser fortalecida”, complementa.

Os assuntos abordados nas palestras englobam desde garantias individuais e da sociedade à captação e prestação de contas. Entre os palestrantes, consta a advogada Kamila Michiko, pesquisadora de gênero e sexualidade, que tratará sobre o conceito de sociedade, democracia, cidadania, direitos e garantias individuais.

Kamila Michiko avalia que essa ação é necessária em todos os contextos históricos e políticos: “Especialmente agora, quando assistimos ao recrudescimento de políticas públicas, de revisionismo histórico, e de rivalização, quase como um atentado à democracia. Vivemos em um estado de intolerância e isso casa com o tema do meu vídeo, onde busquei trazer um apanhado histórico sobre a formação democrática, o papel do estado e do cidadão”, afirma.

Além de mostrar a evolução jurídica do direito da diversidade, Nelson Freitas adianta que as aulas também dão conta da economia, ao abordar o “pink money”, termo utilizado para se referir ao dinheiro investido pela comunidade LGBTQIA+.

O advogado cita a Parada Gay de São Paulo, o segundo maior evento da cidade e que movimentou R$403 milhões na última edição, em 2019. “A Parada Gay é uma das maiores fontes de renda para a cidade de São Paulo, injeta dinheiro na economia e incentiva o turismo. Cada vez mais a comunidade LGBTIA+ tem mostrado a sua força. A ideia é conseguirmos preparar os produtores culturais para que levem a cultura da diversidade para a sociedade”, aponta.

As palestras serão abrigadas em um site, onde também estará disponível um manual online, com textos e gráficos.

A programação completa será divulgada em breve.

Sobre o projeto 

“Arte Diversidade” é realizado com recursos do edital da Lei Aldir Blanc – viabilizado pelo Governo de Mato Grosso via Secretaria de Esportes, Cultura e Lazer, em parceria com o Governo Federal, via Secretaria Especial da Cultura do Ministério do Turismo.

Serviço

Arte Diversidade

O quê: Cursos de capacitação e qualificação para produtores culturais

Quando: Início de abril

Onde: Plataforma virtual

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Marianna Marimon, 30, escritora antes de ser jornalista, arrisco palavras, poemas, sentidos, busco histórias que não me pertencem para escrever aquilo que me toca, sem acreditar em deuses, persigo a utopia de amar acima de todas as dores. Formada em jornalismo (UFMT) e pós-graduação em Mídia, Informação e Cultura (USP).

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