Na moda, sua interpretação da música “My Baby Just Cares for Me” foi usada em 1976 na propaganda de TV do perfume da Chanel, o Chanel nº 5.

O seu estilo de vestir era condizente com o seu jeito destemido de ser. “Eu te digo o que a liberdade significa para mim: Nenhum medo! Realmente nenhum medo.”

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Ela usava turbantes, brincos gigantes, joias, estampas super colors, pulseiras, óculos grandes. E branco, usava muitas roupas brancas para realçar a sua cor negra.

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A moda para ela era uma celebração: “Eu quero ser uma vadia negra rica”.

UNSPECIFIED - CIRCA 1950: Photo of Nina Simone Photo by Tom Copi/Michael Ochs Archives/Getty Images
UNSPECIFIED – CIRCA 1950: Photo of Nina Simone Photo by Tom Copi/Michael Ochs Archives/Getty Images

Pianista clássica, cursou/estudou no conservatório de New York “Juilliard School”. Foi uma das primeiras negras a entrar na renomada Escola da Música de Juilliard, depois de ser rejeitada em outro conservatório na Filadélfia.

Em 1963 sua música “Mississipi Goddam” (Maldito Mississipi), tornou-se um hino da causa negra. A letra fala do assassinato de quatro crianças negras em uma igreja de Birmingham.

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Em plena guerra do Vietnã em 1971, Nina Simone cantou um poema em que deus é chamado de assassino, após 18 minutos de “My Sweet Lord” de George Harrison, dando voz aos que eram contrários a esse conflito no evento militar em New Jersey.

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Diz Nina Simone: “Não tive escolha, não há como viver nessa época, nesse país e não se envolver.” (sobre seu engajamento na questão racial norte-americana).

Seu instrumento era sua voz (maravilhosa) e seu piano (poderoso e sutil ao mesmo tempo).

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Nina Simone foi uma artista que viveu em conflito com seu tempo. Parecia que tinha uma dívida insana e permanente com o passado, o presente e o futuro. Sobre o título de “musa do jazz” ela dizia: “É o título que todo branco concede piedosamente aos cantores negros”. Talvez por isso ela tenha se aventurado a experimentar de tudo um pouco, como: George Gershwin, Leonard Cohen, Beatles, George Harrison… Em 1990 gravou com Maria Bethânia.

“Eu podia cantar para ajudar meu povo e isso se tornou o principal esteio da minha vida. Nem o piano clássico, nem a música clássica, nem mesmo a música popular, mas a música dos direitos civis.”

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Este era os Estados Unidos das décadas de 70 e 80, e, Nina Simone acompanhou a ascensão e a queda dos direitos civis, a derrota do black power, a opressão sobre as mulheres negras, a persistência do racismo.

Diz Maya Angelou (escritora e  poeta negra dos EUA) “Nina tinha em si as eternas contradições de uma artista genial”.

Liz Garbus fala em seu documentário “What happened, Miss Simone?”: “Com exceção das três horas que sucederam o nascimento de sua única filha, não há uma só lembrança de Nina Simone que lhe permita uma memória feliz, apaziguada ao menos.”

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“Nas três primeiras horas após o nascimento de Lisa, eu amei o mundo” (Nina Simone).

E é só.

Lisa Simone Kelly, sua filha diz: “Ela era brilhante, mesmo na velhice ela era brilhante.”

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O filósofo e escritor Kwame Anthony Appiah afirma: “A arte é crucial porque a imaginação é crucial.” E, continua “antes que possamos transformar o mundo é preciso imaginar diferente do que é, e essa capacidade de entender, por exemplo, a condição psíquica de alguém num determinado tempo, de alguém oprimido num determinado tempo, que pode ser ou não o meu próprio, jamais pode ser vista simplesmente olhando para os lados ou porque elas nos é externa ou porque estamos imersos nesta mesma condição. Mas é preciso pensar sobre ela.”

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Uma característica incrível dela (que eu amo!) era o jeito que provocava/geniosa o seu público, rejeitando, sorrindo, com fúria, com desprezo, cutucando, ficando em silêncio… Talvez, ou mesmo, querendo provocar reações tipo: TRANSCENDAM, SAIAM DOS SEUS LUGARES COMUNS!

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Lindamente, intensamente, a emoção dessa mulher cantando, tocando, dançando, interpretando atravessa minha alma me enlevando ao maior dos prazeres (espiritual e visceral) a um nirvana real. nina-simone-1967-photo-david-redfernAVE NINA SIMONE!

Au revoir!

Eunice Kathleen Wayman nasceu em Tryon, Carolina do Norte, EUA, em 21 de fevereiro em 1933, e morreu em Carry-le-Rouet, Provence-Alpes-Côte d’Azur, França em 21 de abril de 2003, aos 70 anos, morreu dormindo. 

Dedico essa matéria a minha amada filha Theodora Charbel, a luz de todas as cores da minha alma.

Mille Feux!

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Glenda Balbino Ferreira é pianista, publicitária, curso de moda incompleto, empresária dona da camisetaria VISHI e mãe de Theo Charbel, 55 anos.

3 Comentários

  1. bom, o comentário “MEU” aí em cima é de MINHA MÃE, que NÃO SABIA que o comentário, dela, ia com meu nome, hahahah, bom corrigindo o corrigível eu cá digo que essa matéria da Glenda está uma coisa de lamber os beiços, parabéns e “please don’t let me be misunderstood” com essa mulher é uma delícia!!!!!

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