d65ddd89698d017b78c910c08487f9d5Ela acordou com os passantes trombando no seu assento. Acordou e não reconhecia a luz do dia daquele lugar. Olhou acima estava no 13B, corredor. Não sabia como estacionara ali, naquele ônibus de linha interior-capital falida.

O cobrador, percebendo o buraco em seu chão, tratou de escavar ainda mais. Disse: “ele desceu no km 52”. Mas, pensara ela: “ele quem?”
Não tinha bolsa, não tinha um RG. Teria tido uma festa de 15 anos? (uma valsa)
Se apalpou. Tinha peito voluptuoso. Seria depois de uma cirurgia?
O cobrador pediu que descesse. queria ver até onde ia aquela falta de história…
ela tropeçou na escadaria do ônibus. Lá também tinha um buraco. Bateu com a cara num sapato, um scarpin vermelho. Ele a pisoteou. E saiu.
Aquela pessoa só estava ali para pisá-la. Não disse nada, mas a humilhou
depois disso, sentiu um tridente cortando lhe a pureza. era escala pro inferno. seu inferno particular.
Sentiu um cheiro de perfume mediano. podia ser o dele. Era lavanda. Como odiava lavanda agora. O homem com seu cheiro lhe abandonara rumo ao fim da linha. Talvez ele seria alguém lhe fazendo um favor, pra que ela recomeçasse uma vida nova. E um senhor que ia passando, cantava: “ele te queria para o mundo”.
Então, ela fez aquilo que o seu corpo lhe pediu. Se ofereceu numa esquina. Para os carros, mas eles a transpassavam e seu corpo ficava turvo e evaporava. Nada ia ser mesmo fácil. Saiu andando ao relento de um sol cortante. começava a lembrar…
Lavava para-brisas de caminhões em posto beira-estrada e sujava a alma oferecendo um pacote maldito. A concorrência. Era ela quem persuadia seus valores. Ficaram caros e imorais.
Em um desses favores, pediu passagem pra lugar algum. Estava lá então. Bem lá perto da rodoviária, descobriu, tinha um viaduto bem alto que fazia corpos despencarem de uma distância bem grande e irem de encontro a carros em alta velocidade, sem tempo para pestanejar. Matavam mesmo.
A sua sorte(?) foi estar perto dele. Era tão sedentária, não aguentava andar muito. Caminhou um pouco, pulou. E e a partir dai, pulou pra sempre, morreu sempre.
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